A pesquisa PoderData mostrou que, num eventual segundo turno,  Lula teria 18 pontos de vantagem em relação a Bolsonaro – 52% a 34%. Mas ela mostra também outros dados e elementos interessantes. Não  quero discutir aqui possibilidades de candidaturas ou arranjos puramente eleitorais, mas apenas  refletir sobre os elementos que esse levantamento – a exemplo da pesquisa anterior e da pesquisa XP-Ipespe – nos dá para pensarmos o caminho do jogo político-midiático. 

Vamos aos dados:

LULA AUMENTA VANTAGEM

Em relação à última pesquisa, Lula abre uma vantagem de 18 pontos em relação a Bolsonaro na disputa do segundo turno – 52% a 34% 

CAI INTENÇÃO DE VOTOS EM BOLSONARO

Hove uma piora nas intenções de voto em relação à sondagem de um mês atrás. Naquele momento, apenas Lula e Ciro Gomes venciam Jair no segundo turno. Agora, qualquer um dos mencionados pode ser capaz de derrotar o presidente.

Com certeza, ele perde para Lula e Luciano Huck. Vejam no quadro:

 

ATENÇÃO: Bolsonaro mantém fiel o 1/3 do eleitorado, ou seja, o bolsonarismo raiz segue intocado, mesmo com a CPI batendo à porta e a pandemia estourando.

E no primeiro turno, a intenção de votos nos demais é muito pequena em comparação com a intenção de votos em Lula e em Bolsonaro. Então, aquela subida de Huck no segundo turno é num embate com Bolsonaro apenas. Ele não se sustenta desde o começo.

ESTRATIFICAÇÃO DE VOTOS (segundo turno)

Lula X Bolsonaro

Bolsonaro tem mais votos entre:

  • homens (47%), 
  • os que ganham mais de 10 salários mínimos (71%);

Lula tem mais votos entre todos os demais:

  • Todas as faixas etárias – com destaque para os Jovens (69%)
  • Mulheres (61%)
  • Todas as regiões – com destaque para o aumento no Sudeste (51%)
  • Todos os níveis de escolaridade
  • Faixas de renda: até 2 SM, de 2 a 5 SM, de 5 a 10 SM

BOLSONARO X  HUCK

Bolsonaro tem mais votos entre:

  • homens (45%), 
  • pessoas de 25 a 44 anos (40%)
  • moradores da região Sul (42%)
  • os que têm só o ensino fundamental (39%)
  • os que ganham mais de 10 salários mínimos (71%)

Huck tem mais votos entre:

  • Mulheres (53%)
  • pessoas de 16 a 24 anos (72%)
  • Moradores da região Norte e Nordeste
  • Os que têm só o ensino fundamental (49%)
  • Os que recebem de 5 a 10 salários mínimos (50%).

Alguns elementos para pensarmos a partir dos dados:

  • A queda na intenção de votos, com certeza, vai mobilizar o Planalto no sentido de estourar o orçamento pra chegar competitivo a 2022. Será uma batalha midiática inclusive, porque isso afeta o deus mercado. De olho aí em todas.
  • O bolsonarismo raiz, que segue intocado (1/3 do eleitorado) será alimentado (fake news, redes sociais, rádios, igrejas) e atiçado (embates virulentos do presidente)
  • A intenção de votos da faixa mais jovem é um dado muito relevante. Não tenho dúvida de que se deve a influencers (sobretudo Felipe Neto) e à presença constante de Lula nas redes sociais, falando pra ser entendido, entre outros fatores.
  • Huck pode ser bem trabalhado, apesar de a subida ser no segundo turno. Aliás, esse número não é à toa. Sugiro que parem de fazer birra e vejam o programa dele sábado à tarde – público participante preferencialmente de mulheres, negros, nordestinos, pobres. Confiram agora com os números. Será uma aposta, mas tenho dúvidas quanto à solidez da figura. Ele já despontou assim em outros momentos e caiu de boca. A ver.
  • Avaliação de Doria melhora com a aceleração da vacina em São Paulo; avaliação de Moro também melhora em relação à ultima pesquisa. Isso, mais a subida de Huck, alimenta a ideia da tal terceira via, ainda que eles estejam capengas no primeiro turno. 
  • Intenção de votos em Ciro piora. Talvez a dubiedade do candidato e a verborragia sem propósito não estejam agradando nem a gregos nem a baianos

OBS: Na GloboNews ontem, as garotas da economia, Miriam Leitão incluída, afirmavam que o deus mercado não estava preocupado com a candidatura Lula, porque isso já estava de alguma forma ‘precificado”. A preocupação era com o estouro do orçamento neste ano, pq o Planalto vai meter a mão e soltar grana e levar tudo ao descontrole, rompendo o limite do teto de gastos para melhorar os índices de aprovação e intenção de voto. O deus mercado, portanto, precifica Bolsonaro perdendo o controle do orçamento, o que implica dólar em alta e perspectiva de alta de inflação. A ver a reação 

Detalhe: Até hoje, o Datafolha não soltou NENHUMA pesquisa de intenção de voto desde que Lula recuperou os direitos políticos. Isso não é da índole do Instituto, que sempre saiu na frente na realização de pesquisas, bem elaboradas e estruturadas, sobretudo num momento político intenso. A única pesquisa que divulgaram foi uma dizendo que, segundo percepção das pessoas, Lula não deveria ser candidato. Ibope também não divulgou.