Ontem estreou o “Domingão com Huck”, o novo programa de Luciano Huck nas tardes de domingo da família brasileira. Ele substitui  programa do Faustão, que saiu da Globo. Antes que briguem, xinguem e me mandem desligar a TV – afinal, ela não importa e nós precisamos ler muitas partes de O Capital – prestem um pouquinho de atenção aos detalhes interessantes do programa. A abertura do programa marca nossas mazelas e já insere o convite à construção de um novo Brasil: “A gente se olha no espelho como Nação e não vê uma imagem bonita”.

Para além da discussão sobre Huck ser candidato à presidência ou não – ele disse que não será, mas ainda há tempo para mudar de ideia –, precisamos pensar na captura de pautas e públicos para o debate do ano que vem. Precisamos pensar nas construções simbólicas e na representatividade. E o programa serve a isso. E serve muito bem.

Um resuminho: ele visitou Domingos, o rei do brega, que é da Paraíba; o programa começou com o show dos famosos, onde pessoas famosas imitam outras, e então tivemos a participação de Margareth Menezes (mulher negra baiana), depois, Gloria Groove (uma drag queen) e o Fiuk, que já esteve enjoando todo mundo no BBB. Ao final, Luan Santana e Alcione apareceram, todo mundo cantou junto.

O brasileiro, especialmente num domingão, adora música brega, axé, sertanejo, pagode. Eu adoro. Alguns até tentam esconder e falam de MPB e música clássica, mas não resistem quando escutam “Eu falei Faraó”. Enfim, brincadeiras à parte, o programa coloca em cena essa brasilidade, essa alegria brasileira de vários ritmos e culturas regionais – vejam a representatividade de artistas nordestinos (a Nação Nordestina terá papel muito importante no ano que vem). E pauta discussões a partir desse viés descontraído. Também se preocupou com as questões identitárias – há mulher negra, há drag queen participando em destaque. 

O Domingão com Huck traz uma ótima construção simbólica que coloca em cena um outro Brasil, o da alegria, da diversidade, do respeito às diferenças, da harmonia – ninguém quer guerra, todos querem ficar juntos, cantando e dançando Ninguém quer raivosos – à direita e à esquerda. Queremos de volta o país da alegria. Quem poderá resgatá-lo é a pergunta que fica no ar. E que será problematizada e potencializada a partir de 8 de setembro.

A Globo é mestre nessas arquiteturas simbólicas. E apenas desligar a TV não nos dá condições de entendê-las e de fazer frente a elas. Precisamos fazer isso com maestria, leituras revolucionárias em dia e ouvindo pagode e axé.