Reflexões sobre comunicação, desinformação, estratégias do discurso de informação, atuação da imprensa e letramento midiático

A pesquisa Quaest, observando-se as outras realizadas por outros institutos, mostra um cenário de relativa consolidação de tendências em termos de alguns aspectos na preferência do eleitorado. 

Vamos a eles:

AVALIAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO

53% Avaliam o governo como negativo, e 20% o consideram positivo.

A Região Nordeste continua como um paredão antibolsonarista – a desaprovação a ele é de 61%. Interessante também observar que essa desaprovação cresce em todos os estados, incluindo o Sudeste e o Sul. 

A pesquisa também perguntou se Bolsonaro errou ou acertou ao soltar a nota em respeito ao STF e ao Congresso (o pedido de desculpas). 44% dos entrevistados acham que ele errou, e 39% acham que ele acertou.   

PRINCIPAL  PROBLEMA

O campeão é a economia. E para além do agravamento da situação econômica em si, eu apostaria na intensificação também das reportagens mostrando que o cenário econômico é muito ruim – e essa é a percepção de 44% dos entrevistados, que apontaram a economia como o principal problema do país. A saúde/pandemia vem em segundo lugar; a corrupção está em terceiro lugar. 

Entre os problemas específicos, a preocupação cm a economia e com a inflação aumentam bastante. 

69% dos entrevistados acham que, nos últimos anos, a economia piorou; 15% acham que ela ficou do mesmo jeito, e 14% acham que melhorou. E caiu bastante o percentual dos que apostavam que, nos próximos 12 meses a economia poderia melhorar, assim como cresceu o percentual dos que acham que ela vai piorar. Além disso, 62% acham que o país não vai conseguir controlar o aumento de preços. 

INTENÇÃO DE VOTOS

A pesquisa testou oito cenários diferentes, na estimulada, com 11 candidatos. 

Todos os cenários têm Bolsonaro e Ciro Gomes, além de Lula. De todos eles, o maior percentual que Bolsonaro alcança é 27%; no caso de Ciro Gomes, é de 12%. Lula mantém de 43% a 46%, e é líder em todos os cenários.

Na espontânea, em que nenhum nome é apresentado, Lula tem 22%, contra 17% de Bolsonaro e 1% de Ciro Gomes.

No segundo turno, foram feitas sete projeções, e Lula ganha em todos os cenários. 

Lula 53% x 29% Bolsonaro

Lula 49% x 26% Ciro Gomes

Lula 52% x 26% Sergio Moro

Lula 54% x 17% Luiza Trajano

Lula 54% x 16% João Doria

Lula 55% x 15% Eduardo Leite

Lula 56% x 14% Rodrigo Pacheco

A pesquisa também pergunta quem o entrevistado prefere que vença a eleição: Lula, Bolsonaro ou nenhum dos dois. Lula tem 42%, Bolsonaro, 23%; nem Lula nem Bolsonaro, 29%.

COMO SE INFORMA SOBRE POLITICA

A maioria dos entrevistados – 52% – afirmou que se informa sobre política pela TV, e 21% pelas redes sociais. Isso é interessante para se pensar no propalado poderio das redes sociais. Tenho dito que elas importam, e muito, claro, mas os meios tradicionais, sobretudo a TV, têm peso.

Aqui também há um cenário interessante para marcar o movimento midiático. Dos que se informam pela TV, 58% avaliam como negativo o governo Bolsonaro. Dos que se informam pelas redes sociais, 44% acham negativo, e 30% avaliam como positivo. Para quem se informa por blogs e portais de notícias (lembrando que há portais fabricantes de fake news), 47% avaliam como negativo, e 30% como positivo o desempenho do governo. 

A maioria daqueles que se informam pela TV prefere que Lula vença a eleição. 

QUAL CANDIDATO RESOLVE MELHOR OS PROBLEMAS

A pesquisa elencou cinco grupos de problemas, incluindo economia e corrupção. Lula é apontado como o melhor candidato para resolver todos eles, o que inclui o combate à corrupção, em que ele tem o dobro do percentual de Sergio Moro.

Já disse mais de uma vez: o Brasil está esgarçado, fraturado e combalido. Não será um processo eleitoral sob condições normais de temperatura e pressão. Num cenário como esse, Lula é o nome capaz de congregar as esperanças das pessoas, e esse elemento é essencial num cenário de terra arrasada.