Reflexões sobre comunicação, desinformação, estratégias do discurso de informação, atuação da imprensa e letramento midiático

Pesquisa Datafolha mostra acomodação na preferência do eleitorado. E pouca chance para a terceira via

A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra um cenário de estabilidade em termos de preferência do eleitorado em meio ao caos político/econômico/social do Brasil. Ela foi realizada entre os dias 13 e 15 de setembro e ouviu 3.667 eleitores, de forma presencial, em 190 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

O Datafolha testou todos os cenários possíveis para o primeiro turno, e o ex-presidente Lula está à frente (bem à frente) em todos.

Na resposta espontânea, Lula tem 27%, aumentou um pouquinho em relação à pesquisa anterior, também na margem de erro, e Bolsonaro tem 20%. Ciro Gomes tem 2%, e 38% dos entrevistados não souberam responder, mas esse percentual está caindo bastante desde maio.  

Os ricos continuam a manter Bolsonaro, mesmo com toda a ação genocida, de corrupção e denúncias. Impressionante. No Nordeste, Lula tem 61% contra 16% de Bolsonaro.

No segundo turno, Lula bate Bolsonaro por 56% a 31%. Na pesquisa anterior, o percentual era de 58% a 31%, mas, como a margem de erro é de dois pontos percentuais, podemos considerar um cenário de estabilidade. Isso também vale para os outros candidatos testados, que tentam tomar o posto de terceira via. Ou seja, os dois se consolidam na disputa, e a perspectiva de uma terceira via somente se viabiliza se um dos dois não estiver na jogada. Por ora, e por tudo, meu palpite é de que Jair será limado, não entra na disputa. Mas o mar da história é agitado, como já disse, e o Brasil não nos deixa morrer de tédio. 

Segundo a reportagem do Uol, “é uma esperança da centro-direita: a de que o derretimento da popularidade de Bolsonaro possa inviabilizar o presidente nas urnas e abrir espaço para um novo anti-Lula em outubro de 2022”. Segundo Eliara, derretimento de popularidade é algo construído midiaticamente com boas parcerias, por exemplo, com o judiciário; e sim, inviabilizar a candidatura de Jair é a aposta do momento.

Por ora, o cenário é de acomodação e estabilidade nas tendências. Até que haja novos e contundentes movimentos. Que virão, não tenho dúvidas. 

A pesquisa delineia alguns aspectos que acho mais relevantes. Vamos ver:

LULA CONSOLIDA FAVORITISMO COM O ELEITORADO

No segundo turno, Lula mantém a grande distância em relação a Bolsonaro e em relação a todos os cenários testados. No segundo turno, Lula 56% X Bolsonaro 31%.

No primeiro turno, a pesquisa colocou vários cenários, com diversos candidatos. Na resposta estimulada, Lula tem 44% (era 46% na pesquisa anterior, dentro da margem de erro), portanto, mantém-se estável à frente de todos – sem aparecer na mídia, sem aparecer em atos, sem fazer campanha aberta. E mantém tendência de alta na resposta espontânea. O favoritismo no Nordeste é impressionante.

 

REJEIÇÃO A BOLSONARO AUMENTA, MAS ELE SE CONSOLIDA EM SEGUNDO

A rejeição a Jair foi a 53%, segundo a pesquisa. É recorde e mantém tendência de alta.

Mas percebam que ele mantém 26% de intenção de voto no primeiro turno e 31% no segundo, apesar da falta de vacina, do caos econômico, do incentivo a ações contra o STF, do golpismo, da escalada autoritária, enfim, apesar de tudo, ele mantém uma boa intenção e votos.

Os ricos brasileiros sustentam Bolsonaro, talvez mais do que a base evangélica, ouso dizer. Por um lado, se os ricos não o apoiassem mais, o outro sistema, o midiático, iria com tudo pra cima de Jair, chamaria “crise” de CRISE e, de fato, o faria derreter eleitoralmente – o cenário econômico é de absoluto horror, e mesmo assim ele continua no páreo. Mas Jair tem a máquina na mão e agrada a setores do agro é pop, por exemplo, do mercado financeiro, do empresariado.

Por outro lado, os outros nomes que se apresentam como alternativa são por demais representativos de um certo grupo brasileiro que já está aí: brancos, ricos, do Sudeste, que debocham do Nordeste. Não têm apelo popular, até tentam fazer dancinha em carro de som, mas não convencem, porque, de fato, não conversam com as pessoas, com o povo. Isso quem faz é Lula. E Bolsonaro. E num cenário de muito esgarçamento, muita dor, muitas perdas, muita coisa ruim junta, as pessoas querem sim ser ouvidas de verdade. Enfim, palpites.

TERCEIRA VIA NÃO EMPLACA 

Todos os nomes e cenários foram testados. Até a senadora lacradora da CPI, Simone Tebet, aparece em um deles. Mas nada adianta, e ninguém consegue pontuar 10% – Ciro chega a 11% dentro da margem de erro. 

RICOS APOIAM BOLSONARO, NORDESTE APOIA LULA 

Na resposta espontânea no Nordeste, Lula tem impressionantes 42% das intenções de voto. A resposta espontânea é aquela em que não são apresentadas fichas com os nomes dos candidatos – o eleitor responde por si mesmo. 

QUASE EMPATE ENTRE OS EVANGÉLICOS

A pesquisa mostrou que Bolsonaro tem perdido apoio entre o eleitorado evangélico. Hoje, há quase um empate na preferência do eleitorado: Bolsonaro tem 36% contra 32% de Lula. Isso é um bom indicativo, porque a distância vem diminuindo.