Reflexões sobre comunicação, desinformação, estratégias do discurso de informação, atuação da imprensa e letramento midiático

Governo Bolsonaro deixa de vacinar as crianças. O Zé Gotinha sumiu…

“Com 3º ano de vacinação em queda, Brasil recria geração desprotegida”.

Essa é a manchete de reportagem no Uol hoje, 20 de março de 2022. E a imagem é de uma campanha antiga, ainda do governo Dilma Rousseff.

Terceiro ano de vacinação em queda. Ou seja, desde 2019, primeiro ano do governo inominável de Jair, o incomível, o país que já foi REFERÊNCIA MUNDIAL EM COBERTURA VACINAL assiste, impávido colosso, à queda acentuada no processo de vacinação das crianças, na cobertura vacinal do calendário básico de vacinas. Trcando em miudos: as famílias estão deixando de vacinar suas crianças. 

Segundo a reportagem, apenas 68% das crianças que deveriam ser atendidas foram vacinadas. O Brasil já registrou índices próximos a 100% de cobertura vacinal para o calendário básico do PNI (Programa Nacional de Vacinação). Meus filhos foram vacinados no postinho. Era uma delícia levá-los e ver aquela festa de mães e crianças recebendo vacina; era um programa imperdível o encontro com o Zé Gotinha; era festa, era alegria, era civilidade; era a certeza de que VACINA SALVA.

O que aconteceu com este país sob a égide de um governo estúpido, indecente, que criou um poderoso sistema de desinformação capaz de impactar até esta bandeira, que era orgulho das mães brasileiras, a vacina?    

Em 2015 – antes do golpe contra Dilma –, o Brasil atingiu uma média de 97% de cobertura vacinal. Em 2020, o Brasil atingiu índices de vacinação similares aos de 1980 – 77%. E em 2021, isso piorou ainda mais. O retrocesso não é retórico, não é simples figura de linguagem. É um retrocesso civilizatório real. Porque questionar vacina, não vacinar criança é RETROCESSO CIVILIZATÓRIO. Se as crianças não são vacinadas contra tuberculose, sarampo, coqueluche, tétano, difteria, meningite, paralisia infantil (poliomelite), elas estão completamente à mercê dessas doenças, que retornam ao rol de doenças perigosas no país – doenças que já estavam controladas. E adivinhem qual grupo será mais prejudicado? Crianças e famílias pobres.

É perverso um governo que deliberadamente atua para que mães tenham dúvidas em relação aos benefícios das vacinas para seus filhos. O Brasil está criando, sob o governo Jair Bolsonaro, uma geração de desprotegidos, uma geração fragilizada, suscetível a doenças que estavam erradicadas e controladas. 

Eu fiquei exultante quando as vacinas pneumocócica 10-valente e a anti-meningococo C, contra meningite – um dos tipos mais perigosos, que matavam ou deixavam as crianças sequeladas – foi incluída no calendário do SUS. Eu tinha dado as vacinas aos meus filhos em clínica particular, eram caras, e eu sabia da importância delas para as crianças. Foi no governo Lula, e foi uma vitória. 

Hoje, não há uma única campanha para estimular a vacinação. Nada. O Ministério da Saúde só se preocupa em comprar remédio ineficaz contra a Covid. Não há mais campanha de vacinação, Zé Gotinha desapareceu. 

Como pano de fundo marcante desse cenário absurdo, está a desinformação estruturada e estruturante do governo Jair Bolsonaro. Especulações e mentiras sobre a eficácia e o conteúdo das vacinas povoam as redes, e as pessoas ficam confusas de verdade. E as doenças vão voltar, com força, e vão penalizar as crianças e suas mães. Isso é retrocesso civilizatório.