Reflexões sobre comunicação, desinformação, estratégias do discurso de informação, atuação da imprensa e letramento midiático

Boletim do JN: o protagonismo do Judiciário | 30.4.2020

A edição de hoje consagra o protagonismo do Judiciário na cena política. De alguma forma, resgata o papel central do Judiciário como poder que decide questões prementes no país, como poder capaz de reordenar os eixos, de “fazer a cosia certa”, de dar as garantias para o funcionamento equilibrado do país. Esse papel já foi bem exaltado em outro momento histórico. Será, sem dúvida, relevante na desconstrução do indesejado. Vamos à edição.

A primeira matéria tratou de dimensionar a tragédia anunciada que se abate sobre o Brasil com a Covid-19 – o país já ultrapassa a China também no número de casos. Espaço para a fala do ministro Teich, que anuncia que já preparou diretrizes para o relaxamento do isolamento, mas que não vai começar isso agora. Ele disse também que prepara uma diretriz completamente diferente (no que o jornal informou: “Mas não disse qual”). O ministro tem espaço, em relação a tempo, mas sua fala merece pouca repercussão, pouco destaque. É um coadjuvante e como tal é tratado.
Os especialistas ouvidos pelo JN são as vozes mais potentes a dizerem que não é possível relaxar o isolamento. Como anuncia a matéria, são “os cientistas” que dizem. E contra os cientistas não há muito mais a dizer. A seguir, a matéria foi emendando as regiões mais críticas, mostrando as cenas e os depoimentos. Contra imagens dramáticas não há refutação possível.
E a matéria segue a escalada dos estados e municípios mais gravemente atingidos.
Primeiro é São Paulo, que tem o pior início de semana, com muita gente na rua e circulando, as imagens mostram. E a doença faz cada vez mais vítimas, o que pode levar a medidas de endurecimento. A situação é bem dramática, com depoimentos de médicos mostrando a situação de atendimento e o número de pessoas jovens morrendo.
Corte para o Rio e as imagens de corpos enfileirados num hospital, pq o frigorífico está lotado. A situação mostrada no estado é dramática, e governador e prefeito prorrogam o prazo de quarentena. Na Ilha do Governador, um caos no atendimento do hospital referencia no combate

Ainda no Rio, hospitais federais não cumprem a ordem para liberar leitos. A alegação é de falta de profissionais. Essa abordagem seria um ótimo tema para os comentários de Bonner nas matérias – por que faltam tantos profissionais de saúde hoje no Brasil?

No Amazonas, o governo prorroga por mais duas semanas as medidas de isolamento, mas as pessoas não estão respeitando. Em Manaus, há um grande aumento das mortes, e muitos corpos aguardam em casa para serem retirados pelo serviço da prefeitura, que demora muito. É o caso de seu Raimundo soares, cujo corpo ficou aguardando até a família “fazer uma vaquinha para pagar uma funerária particular”. Alegando falta de medidas para o combate à doença, um grupo de deputados entrou com pedido de impeachment do governador.

No Amapá, situação dolorosa de quem não pode se despedir dos parentes.´E o caso de dona Nadir, 90 anos, que não conseguiu ver o filho – a funerária desviou o caminho para passar pela rua dela e ela se despedir do filho, vitima da doença.

O Maranhão adotou a medida de lockdown por 10 dias, com a polícia nas ruas para garantir que ninguém sairá sem motivo. O estado já tem 3 mil casos confirmados e muitas mortes. A matéria deu bom destaque, mas sem mostrar o governador.

Pernambuco já é o terceiro estado com maior número de casos – e isso é ressaltado pela imagem das 500 novas covas abertas no cemitério. Muitas pessoas nas portas das UPAs esperando atendimento.

As matérias mostram um balanço bem sombrio da doença no Brasil: superlotação nos hospitais, falta de assistência às pessoas, esgotamento dos profissionais de saúde. Como lamenta Bonner:
“É uma situação muito, muito, muito triste. Nós aqui também ficamos tristes, todos os jornalistas, mas nós, que somos profissionais da imprensa, temos uma espécie de esperança inesgotável né, Renata, de que a gente toque o coração e a consciência de cada um para que perceba a gravidade do que estamos enfrentando e cada um possa tomar providência para se proteger e proteger o outro também”. A fala emotiva de Bonner é a deixa para o recado essencial, dessa vez com os ferroviários.
Depois do panorama nebuloso da Covid no Brasil, o terceiro bloco entra com as mazelas de Bolsonaro. Agora, ele critica a decisão do ministro Alexandre de Moraes de impedir a posse de Ramagem. Segundo o presidente, a decisão foi política. A matéria retoma o caso envolvendo Ramagem, mostrando com destaque as denúncias feitas pelo ex-ministro Sergio Moro. E mostra também o currículo do ministro Alexandre de Moraes, destacando que o ministro, já publicou vários livros (se me recordo bem, à época da nomeação por Temer, houve algumas denúncias nesse sentido) . Segundo a matéria, diferente da declaração de ontem, hoje Bolsonaro atacou o ministro. E após o ataque, os ministros do Supremo e representantes de várias entidades se manifestaram em defesa de Moraes destacando a seriedade, o compromisso, a capacidade, a idoneidade, a versatilidade do ministro. Ele tem um grande espaço de fala e diz que é hora de “união para enfrentar a pandemia”. A fala dele é bem contundente, e ele faz críticas indiretas a Bolsonaro. Na fala, a ideia de que é preciso defender o fortalecimento da instituição, do judiciário.

Depois, no fim do dia, o presidente Jair disse que só fez um desabafo.

Na sequência, STF suspende, por unanimidade, restrições à Lei de Acesso à Informação.


A juíza Ana Lúcia Petri dá novo prazo de 48 horas para que Bolsonaro entregue os laudos doe exame para Covid-19, pois o documento apresentado pela AGU não atende aos requisitos. De modo bem rápido, Renata menciona que Bolsonaro admitiu, pela primeira vez, numa entrevista à Rádio Gaúcha, que pode ter pegado o vírus. Mas não há repercussão quanto a isso. Por enquanto.

Gilmar Mendes nega o pedido de Dudu Bolsonaro para encerramento da CPMI ds fake news.

Depois, Alcolumbre propõe um novo texto para o projeto de ajuda a estados e municípios.

Na sequência, o desemprego no Brasil volta a subir e atinge mais de 12%. Imediatamente na sequência, o quadro Solidariedade S/A, com Mapfre e Hydro, mostrando o protagonismo das empresas.

No bloco seguinte, Donald Trump volta a se referir à situação brasileira, que é muito ruim. Ele falou também que os EUA tomaram a decisão certa. E comenta a suposta origem do vírus.

Depois, o Brasil manda os embaixadores da Venezuela saírem do país.

Na sequência, a exoneração de dois coordenadores da Funai, responsáveis pela repressão da grilagem e da mineração, pelo ministro do Meio Ambiente. Voz às entidades representativas para falarem que as demissões foram retaliações. A matéria foi bem completa, explorou muitos detalhes, reforçando a ideia de proteção do governo a atos como grilagem de terras indígenas e de garimpo.

O Ministro Celso de Mello determina que Moro preste depoimento em até cinco dias, e não em 60 dias, como previsto antes.

Por fim, “um afago para atenuar as tensões” – entra uma cantora, moradora da Gávea, no Rio que passou a cantar, toda tarde, na mesma hora. Muitos depoimentos emocionados, “como se a vida ficasse em suspenso”, a janela se transforma num palco, “enchendo a vida de esperança”.
No fim, Renata diz, apontando pra ele, que Bonner ficou emocionado.

Acho que todo mundo. Boa noite.