Reflexões sobre comunicação, desinformação, estratégias do discurso de informação, atuação da imprensa e letramento midiático

Boletim do JN: mais um dia sem presidente | 19.03.2020

Mais um dia em que os brasileiros percebem que não têm presidente da República.

Todo a edição foi praticamente ocupada pelas informações sobre o coronavírus. E o destaque foi para o aumento do número de casos e as mortes pelo vírus. O ministro da saúde ocupou a cena, falando sozinho, com desenvoltura, sobre as medidas a serem tomadas.

Na sequência, as medidas novas e mais restritivas adotadas por Witzel no Rio – na matéria, ao fundo, gritaram um “fora, Bolsonaro”. Um giro pelo país mostrou as várias ações adotadas pelos estados – SP, Santa Catarina, Bahia (mas não mencionaram a proibição da Anvisa à medição de temperatura no aeroporto de Salvador).

O governo federal entra na menção ao socorro às aéreas, às mudanças do INSS para evitar aglomerações, redução de jornada, PEC emergencial.

Não há presidente… apenas ações importantes sem uma coordenação nacional.

Ao longo da edição, há boas pautas gerais, relacionadas ao coronavírus, mas explorando outros âmbitos – produtos falsos e os perigos disso (álcool gel).

E então entra a questão do tuíte de Dudu Bolsonaro com os insultos à China. “Eduardo Bolsonaro provocou uma crise diplomática entre Brasil e China”, diz a abertura da matéria. Foi mostrado o tuíte, com destaque. “A resposta chinesa foi imediata”, diz o texto, explorando a indignação da Embaixada Chinesa. Mostraram também a rápida resposta de Rodrigo Maia, pedindo desculpas. E “só à noite a maior autoridade diplomática do Brasil entrou em cena”, informa a matéria, referindo-se ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo. Que pediu a retratação do embaixador da China!

E aí, a segunda voz de autoridade surge para apaziguar – Mourão surge e diz que se Dudu fosse Dudu Bananinha, não haveria problema. E ressaltou que ele não fala pelo governo.

E Delis Ortis nos informa que o incidente acontece num momento muito delicado, pois a China ofereceu ajuda no combate ao vírus. Em seguida, informação de que o Senado mandou uma carta ao presidente chinês pedindo desculpas e reafirmando a parceria com o Brasil. Mas a Embaixada Chinesa não aceitou…

Bonner chega para dizer que a China mantém importantes relações comerciais com o Brasil e que está ajudando com equipamentos no combate ao coronavírus.

Na sequência, o giro pelo mundo: Itália, França, Reino Unido, EUA. E os avanços na pesquisa da vacina e no teste de medicamentos.

Aí, um “momento de reconhecimento sincero” – muitas imagens de pessoas agradecendo o trabalho dos médicos e do sistema de saúde.

A questão das mortes dos idosos atendidos pela Prevent Sênior. Mostraram a Vigilância Sanitária no hospital, mas não exploraram muito a relação mortes – hospital privado.

Depois, boletim do tempo, com a chegada do outono.

E Bonner ressalta que há sempre boas iniciativas no Brasil em momentos de crise, o que é reforçado com a imagem da família que trabalha em casa e que paga a empregada doméstica que foi dispensada. Há outras ações, pessoas se organizando, momentos de solidariedade no país.

É isso: todo o país se organiza, sem um comando central.