Reflexões sobre comunicação, desinformação, estratégias do discurso de informação, atuação da imprensa e letramento midiático

BOLETIM DO JN 24-09: pouco espaço para pesquisa Ibope com Bolsonaro, mas “hábito” da família tem destaque

A pesquisa, pedida pela CNI, é relevante porque traz números importantes em relação à aprovação de Jair. E é sintomático que o JN tenha negligenciado intencionalmente sua relevância. Ou seja, propositalmente não quis destacar que a aprovação de Jair, com o auxílio emergencial, subiu. Ao contrário, deu mais destaque – muito mais – aos “hábitos” dos filhos, da família, em comprar e pagar à vista. Em dinheiro vivo. 

Vou destacar os pontos que acho mais interessantes para análise. 

MEIO AMBIENTE EM COLAPSO

Em três reportagens totalizando 7 minutos, a enorme devastação que atinge matas Brasil afora ganhou bastante destaque, extrapolando o Pantanal e chegando ao oeste baiano (região de grandes lavouras de soja e algodão…mas isso a reportagem não mostrou), com os dados do IBGE recheando a devastação e salientando que o país já perdeu, em 18 anos, o equivalente a 500 mil quilômetros quadrados em todos os  biomas – na Amazônia e no Cerrado, a situação é pior.

É muito importante que esse tema, que se amplia e está na grade e em destaque há várias edições, seja também destaque no dia de pesquisa Ibope que mostra Bolsonaro em ascensão. A primeira reportagem, sobre o estudo do IBGE, foi muito boa – destacando que a devastação se deve ao avanço das áreas de pastagem e da agropecuária e do crescimento das lavouras.  Um especialista em biomas salientou que é possível aumentar a produção sem devastar. Foi um gancho interessante, tendo André Trigueiro à frente. É um assunto que vai permanecer, dada a inação do governo. E se o ligamos à fala de Zeina Latiff, como salientei na outra edição do Boletim, é um problema sério para o Brasil que, com certeza, está tirando o sono do agro é pop. 

PROMOÇÃO DA VERGONHA É SUSPENSA

Depois das denúncias do Poder360 e da reportagem no JN, a AGU “decidiu” suspender a vergonha promoção em massa de 607 procuradores. Sem qualquer explicação. Jogaram pra ver se colava, não colou.

PESQUISA IBOPE

O texto foi bem seco, destacando os números nos quadros. Sem comentários, sem projeções, nada. Só a leitura dos gráficos, sem qualquer imagem de Jair, apenas os quadros. Matéria saiu no meio do segundo bloco. E o melhor foi o que veio logo na sequência…

O “HÁBITO” DA FAMÍLIA BOLSONARO

Logo depois da matéria com os números de aprovação de papai, os filhos são mostrados em ótima performance naquilo que sabem fazer de melhor: comprar e pagar em dinheiro vivo. Dinheiro em espécie. A reportagem, de 5 minutos, voltou a mencionar o “habito” da família: “Irmãos Bolsonaro compraram imóveis com dinheiro vivo, mostra levantamento em cartórios. Um levantamento de informações registradas em cartórios do Rio de Janeiro revelou que filhos do presidente Jair Bolsonaro têm o hábito de comprar imóveis com dinheiro vivo”.

Os documentos foram obtidos pelo jornal O Globo, e o JN mostra os documentos e as transações. Começa por Dudu, que pagou 100 mil de sinal em um apartamento em Botafogo, e 50 mil de sinal em outro, tudo em dinheiro vivo. Depois, o irmão de Dudu, Carlos, no primeiro mandato como vereador, em 2003, comprou um apartamento e pagou 150 mil de sinal, tudo em “moeda corrente do país, contada e achada certa”. Carlos fez isso no primeiro ano do primeiro mandato como vereador.

“Pagar em dinheiro vivo parece ser um hábito na família Bolsonaro, e que atravessa gerações”, nos diz a reportagem, que então relembra o caso de uma das ex-esposas de Jair, Rogéria, “mãe de Flávio, Eduardo e Carlos”, os garotos que pagam tudo à vista, que também já comprou um apartamento pagando em dinheiro vivo. 

Flavio Bolsonaro também mantém esse “hábito”: “Mas, por decisão da justiça, a TV Globo está proibida de divulgar informações e documentos sob segredo de justiça no inquérito que investiga o senador no caso da rachadinha”.  

As insinuações sobre o “hábito” da família não são insinuações quaisquer – levam a inferências bem direcionadas sobre a origem da grana para manter o hábito. A conferir (os desdobramentos, não o dinheiro rsrs).