A edição do JN, a uma semana do famigerado 7 de Setembro convocado por Jair, o incomível, foi construída para dimensionar uma crise generalizada e mostrar as várias crises setoriais que a compõem, assim como os responsáveis pela confusão em que estamos metidos, ou seja, Bolsonaro e seu governo.  

Crise de segurança. Crise econômica. Crise energética. Desemprego. Queda na renda do trabalhador. Endividamento grande das famílias. Descontrole da inflação.

Tudo mostrado em detalhes para todo mundo compreender direitinho do que se trata.  

A edição começou com o ataque de bandidos em Araçatuba. A reportagem de seis minutos mostrou muitas imagens, destacou os equipamentos e a organização dos criminosos e, sobretudo, estabeleceu a ligação entre a liberação sem controle do porte e aquisição de armas e a ocorrência de crimes dessa natureza. Ou seja, ligou a bandidagem ao descontrole com os armamentos e à flexibilização feita pelo governo Bolsonaro. Especialistas se manifestaram e falaram abertamente sobre isso: a falta de controle no acesso a armas vai levar a um cenário mais frequente de ataques criminosos como o de Araçatuba. 

Na sequência, uma reportagem de três minutos mostrou que a parcela das famílias endividadas bate recorde pelo segundo mês consecutivo – 7 entre 10 famílias chegam endividadas ao fim do mês. Matéria bem produzida, humanizada, com pessoas relatando o empobrecimento, a falta de dinheiro até para comprar alimentos, “espremida entre o que ganha e o que precisa gastar está a maior parte das famílias brasileiras”. E o tom foi esse. O desalento foi mostrado na tela, com as famílias fazendo malabarismos e esvaziando, cada vez mais, o carrinho de compras, ou trocando o carrinho pela cestinha, tamanha é a diminuição do número de itens que é possível comprar. Além disso, a reportagem mostrou ainda que essas famílias endividadas estão penduradas no cartão de crédito, que no Brasil cobra juros médios de 300% ao ano. Economistas ouvidos ressaltaram que a inflação sem controle está tirando os recursos das famílias, o que faz com que elas cheguem ao fim do mês sem recursos para continuarem consumindo. E a reportagem conclui que, nessa conta, pesam o desemprego, a inflação e a queda na renda média do trabalhador. Ou seja, o pior cenário.    

Em seguida, outra reportagem mostrou o resultado de um estudo para calcular as consequências financeiras das mortes por Covid de trabalhadores e idosos. Reportagem também emotiva, mostrando as famílias “desestruturadas financeiramente e emocionalmente” por causa da pandemia – que por aqui ficou sem controle e sem vacina, com a recusa do presidente em adotar medidas e buscar o imunizante. Depoimentos emotivos mostraram o antes e o depois, como as famílias eram e como ficaram, enfrentando a perda de algum ente amado e a batalha financeira. A reportagem ressaltou que os pesquisadores tentam avaliar o impacto financeiro para as famílias e para o país. Um detalhe: depois de muito tempo, as imagens de muitas covas abertas volta a ocupar a tela em reportagens sobre a Covid.

Para fechar o roteiro de crise da edição, uma reportagem de três minutos mostrou a gravidade do problema hídrico e a urgência na adoção de medidas para conter a crise energética. E, claro, especialistas ouvidos ressaltaram que a situação dos reservatórios é muito preocupante e que o consumo de energia deveria ser imediatamente reduzido, reforçando que não há ainda qualquer medida de redução de consumo anunciada pelo governo federal. Além disso, a reportagem mostrou que os brasileiros já estão pagando muito caro pela energia elétrica, a conta de luz, e que isso terá forte impacto na inflação.  

Os reservatórios estão mais baixos a cada semana

A edição do dia 30/08 resumiu bem o cenário de terra arrasada que os cinco anos do golpe de 2016 deixaram como legado. Golpe que eles mesmos ajudaram a concretizar.