(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

*Texto originalmente publicado em 30-08-2016, em minha página no Facebook, no dia da votação do impeachment no Senado, quando Dilma foi definitivamente afastada da presidência. ele permanece bastante atual

Hoje se encerra a eleição mais longa da história do Brasil – mais de dois anos. Será decidida, em seu terceiro turno, por via indireta. A ficha criminal de vários e vários integrantes do Colégio Eleitoral que nos impuseram é vergonhosamente extensa. Mas são esses os representantes “do povo” que decidirão o futuro do Brasil. Confesso que pensar nisso me deixa arrasada.

Lembro-me da primeira vez em que votei, aos 16 anos, na volta das eleições diretas ao país. Senti-me tão plenamente cidadã (à época, meio tola ainda, votei em Roberto Freire, achava-o ótimo candidato rsrs). Depois, eleição pós eleição, ia toda feliz às urnas, fazia campanha, militava, torcia, partia para o embate. Era o processo democrático que vigorava no Brasil, o que me encantava.

Depois, transmiti essa paixão aos filhotes, e sempre levava os coitadinhos, desde muito pequenos, para votarem comigo rsrs. Eles até se divertiam, e achavam engraçado a mãe vibrar tanto com uma eleição. Nunca imaginei que viveria para ver acontecer, de novo, um golpe sórdido no Brasil.

Desde agosto de 2014, quando as elites decidiram que não dava mais para deixar ocorrer outra vitória das forças progressistas, sofro e me angustio com o que vem ocorrendo com a democracia neste país. Mas ontem, apesar da tristeza, o discurso e a postura de Dilma Rousseff me revigoraram. Seremos, sim, usurpados em nosso direito à escolha democrática do projeto que queremos para a Nação. Mas poderemos olhar nos olhos de cada coxinha – inocente ou não – e dizer: não somos golpistas, lutamos o bom combate, pela democracia e pelo direito de construir um país decente para TODOS os seus cidadãos.

Valeu, Dilma! Obrigada por nos dar, como último ato, a coragem que precisamos pra continuar de cabeça erguida, na luta.