Foto: Site do Governo Federal

Advogada, professora  e pastora, ela é, atualmente, um dos nomes mais bem avaliados no Ministério bolsonarista. Projeta-se como uma espécie de “reserva moral” da proposta bolsonarista.  

Ex-assessora do senador Magno Malta e consultora jurídica da Frente Evangélica, ela assume com destreza e controla a pauta moral do governo. Trabalho que começou bem antes de assumir qualquer cargo, quando ela pregava sobre os horrores do “kit gay”, Brasil afora, apresentando nas igrejas até slides denunciando a proposta do governo de “erotizar” crianças ou transformá-las em gays.  

Quando relatou o episódio do Jesus vislumbrado na goiabeira (quando disse que sofreu abusos na infância), Damares construiu tão bem o discurso que houve um grande movimento de sororidade a ela nas redes sociais.

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, a tal mencionada por Moro como grande triunfo, ela mostrou total desenvoltura falando sobre reação a governadores. 

Damares aparece pouco na mídia e geralmente tem evidência em declarações e ações aparentemente estapafúrdias. No entanto, articula e impõe sua marca em assuntos sérios como ninguém.

Como no caso da menina estuprada que engravidou e teve o aborto autorizado, no Espírito Santo, em que  a ministra mostrou uma enorme capacidade de articulação e de mobilização. Sem aparecer muito, Damares estava totalmente por dentro do assunto e tomando as rédeas da situação para defender seus pontos de vista e os interesses das famílias “de bem”, ou seja, contra a o aborto. Enviou emissários ao Espirito Santo que estiveram em vários locais-chave, como Secretaria de Assistência Social, delegacia, Conselho Tutelar e até à casa da menina.  Além de comentar o caso nas redes sociais.

As reações à ministra  transitam do pedido de sororidade (como se fosse ela uma pessoa frágil e desamparada) às zoações e piadas sobre o estilo e o modo de vida dela (como se ela fosse uma pessoa maluca). Mas Damares não precisa de sororidade. E está pouco se lixando para o que pensam sobre ela. 

Damares assume uma pauta, trabalha por um projeto, atua nesse sentido e sabe muito bem fazer o corpo a corpo. A pauta moral tem força no bolsonarismo, rende votos e representa uma cruzada para a ministra e pastora. E, não tenho dúvida, será um aspecto-chave para a tentativa de reeleição de Bolsonaro. 

P.S: Há reportagens interessantes sobre o modo de ação da ministra. Destaco três: reportagem da Revista Piauí sobre o caso da menina do ES, reportagem da jornalista Thaís Oyama com um ótimo perfil de Damares (e sua influência) na Folha e reportagem do The Intercept sobre a ministra e o kit gay.