O título da matéria da Folha: “Bolsonaro genocida é retórica sem base jurídica, dizem especialistas”. Portanto, segundo as explicações técnicas, Jair não é isso tudo o que dizem…

Exatamente quando o Brasil se aproxima dos 300 mil mortos e do cenário de falta de medicamento para entubação em vários estados, o jornal paulista quer discutir, sempre ouvindo“especialistas”, a definição técnica do adjetivo genocida. Como se a nomeação de genocida para um presidente que DELIBERADAMENTE não comprou vacina, deixou acabar oxigênio nos hospitais, incentivou o uso de medicamento que não combate a Covid, tratou a pandemia como “gripezinha”, desdenhou das recomendações da OMS, incentivou aglomeração na pandemia fosse apenas uma questão de uso correto de um termo técnico.

Não é uma questão “técnica” dizer que Jair é ou não genocida. É uma questão simbólica. É um posicionamento. É um grito para o mundo. GENOCIDA.

Não interessa saber que “o crime de genocídio está definido pela Convenção para Prevenção e Punição do Crime de genocídio como atos com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, enquanto tal” e que, tecnicamente como dizem os especialistas, os “erros e omissões” de Jair não se enquadram na tipificação do crime definido. Nada disso interessa no momento. 

Nomear Jair Bolsonaro neste cenário de guerra significa apontar para ele o dedo e dizer: é culpado pela tragédia da pandemia. Não basta dizer “é omisso”, “errou”. Isso é muito pouco para dimensionar o absurdo dos atos do presidente da República na gestão da pandemia. Estamos chegando a 300 mil mortos e subindo sem controle, repito. Estamos chegando ao cenário de não haver medicamentos para entubar pacientes. O sistema de saúde nacional entrou em colapso, e não NADA sendo feito. É isso o que interessa. E são esses os elementos que devem compor uma conceituação simbólica do que é ser um presidente genocida. 

É sempre bom lembrar que, nas eleições de 2018, rolou também a proibição de nomear Jair como candidato de extrema-direita. Certamente, alguma tecnicalidade qualquer foi usada para explicar que ele afinal não era de extrema-direita, apesar de tudo o que dizia e fazia.   

Portanto, essa busca de tecnicalidades para explicar conceitos e expressões é um desserviço inaceitável num momento trágico como este.