Segundo informações do Uol, o ministro Dias Toffoli, do STF, disse ontem (21-02), em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, que o inquérito das fake news “identificou financiamento estrangeiro a pessoas que promoveram campanhas contra o Supremo e o Congresso Nacional nas redes sociais”. Ele disse que não podia dar mais detalhes, mas considerou a  “descoberta”  algo gravíssimo.

Segundo Toffoli, “esse inquérito que combate as fake news e os atos antidemocráticos, em quebras de sigilo bancário já identificou financiamento estrangeiro internacional a atores que usam as redes sociais para fazer campanhas contra instituições, em especial o STF e o Congresso Nacional”.

A CPMI das fake news foi aberta em 2019, autorizada pelo então presidente do STF. Em novembro daquele ano, eu participei de um evento super bacana na Unicamp, coordenado pelas professoras Anna Cristina Bentes e Cláudia Wanderley, e que colocava em pauta a essencialidade da discussão ampliada sobre o fenômeno das fake news (Abralin em Cena – Fake News e Linguagem). Na ocasião, eu discuti a questão do ecossistema de fake news, uma construção que adaptei para a realidade brasileira a partir de uma abordagem construída pelo grupo de fake news do laboratório Mídia e Mudança Social (MASClab) do Teachers College, Universidade Columbia, em NY, onde fiquei por cinco meses. A partir dos estudos do grupo e da adaptação para o Brasil, a tecla em que comecei a bater era exatamente essa: a de uma produção profissional de fake news, com marcada intencionalidade e muita grana envolvida. Nada de aleatório, ou ao acaso, ou obra de tias aposentadas brincando no computador.

Pensar nesse ecossistema nos impulsiona a pensar nos atores envolvidos, na produção profissional, na distribuição profissional, na capilaridade, nas interfaces com outros sistemas (o religioso, o de mídia corporativa), no financiamento não só estrangeiro – há muita grana de grandes grupos, sem dúvida, pois não se faz comunicação com esse alcance sem dinheiro. E nos faz compreender que o problema que avança no Brasil é muito grave e requer um enfrentamento também profissional, em várias frentes.

O desenho que adaptei a partir dos estudos do MASClab (e que prossegue sendo atualizado) é esse que segue.

Pela surpresa do ministro, acho que a descoberta foi bem interessante. Vamos aguardar.