O jornal foi tomado praticamente pela cobertura do depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e pela reportagem sobre a devassa da PF pra apurar a denúncia de esquema de contrabando de madeira envolvendo o ministro da boiada, digo, Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Vou só destacar alguns aspectos pontuais sem descrever muito as reportagens.

 DEPOIMENTO DE PAZUELLO

1. Foram 29 minutos em três reportagens, muito ricas em detalhes e repercussões. O interessante é que as reportagens foram organizadas para mostrar que Pazuello mentiu – o que foi dito explicitamente nas matérias. Além disso, também foi explicitada a ideia de que Pazuello blindou Bolsonaro – ou seja, só há blindagem para quem tem culpa no cartório…

Após falas mentirosas do ex-ministro, havia quase sempre uma informaçao adicional – video, imagem – contradizendo o dito. Por exemplo, quando Pazuello disse que era a favor de e incentivou todos os cuidados necessários de prevenção (distanciamento, uso de máscaras), a reportagem então mostrou imagens do ex-ministro num shopping em abril, em Belém, sem máscara…

Em outro momento, quando Pazuello minimizou a influência de Bolsonaro na compra da Coronavac, respondendo a uma pergunta de Renan A reportagem, então, mostrou uma transmissão na internet de Pazuello com Bolsonaro, em que ele diz que “um manda e o outro obedece”. E Pazuello diz depois que aquilo era “apenas” para internet.. 

Mais um recorte, e no momento em que Pazuello diz que não acatou ordem nenhuma de Bolsonaro, que ele não deu ordem nenhuma, a reportagem exibe longa fala do presidente falando contra a compra da Coronavac, um dia depois de Pazuello dizer que ia comprar a vacina – Bolsonaro aparece dizendo que não ia haver a compra, que já tinha mandando cancelar a compra.  

2. A imagem de abertura da reportagem foi bastante interessante – medicamentos, máscaras, cloroquina, vacina, contratos e ofícios, dinheiro… poderia haver umas cruzes pra lembrar os mortos, mas já está valendo 

3. Claro, super destaque para o ato falho de Renata, ao abrir a reportagem:

A CPI da Covid ouviu hoje o depoimento do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. A sessão foi tensa, teve discussões. Pazuello irritou os senadores por tentar blindar o ex-presidente… o presidente Bolsonaro e foi chamado de mentiroso 

Como sempre digo, para bom entendedor, pingo é letra  

4. Destaque para as falas dos senadores rebatendo Pazuello em relação à falta de oxigênio em Manaus, momentos bastante tensos. E chamou minha atenção o tempo grande para a fala do senador Humberto Costa, do PT. Claro, ele mencionou que Bolsonaro xingava os números divulgados pelo Jornal Nacional e, por isso, Pazuello maquiou os dados

5. A reportagem também mostrou em destaque o aplicativo TratCov, que recomendava o uso de cloroquina e mostrava a dosagem – e colocou a imagem da capitã cloroquina, a médica Mayra (lembrando que ela vai depor). O aplicativo foi lançado no estado do Amazonas, que foi o primeiro a usar.

6. Destaque para a informação do pedido de quebra de sigilo feita por Randolfe Rodrigues por causa da denúncia apresentada pelo JN. A reportagem retoma, então, matéria da edição anterior mostrando todas as denúncias sobre os contratos sem licitação pra reformas de galpão feitas pelo Ministério para obras no Rio

DENÚNCIA CONTRA SALLES

Treze minutos de reportagem mostrando a operação da PF que investiga exportação ilegal de madeira, cuja denúncia envolve Salles e o presidente do Ibama. Segundo a reportagem, a Polícia Federal suspeita de movimentações financeiras atípicas envolvendo o escritório de advocacia do qual o ministro do Meio Ambiente é sócio. A operação Akuanduba, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão no DF, em SP e no Pará, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Na reportagem, já estava colocada claramente a ideia de contrabando, de exportação ilegal de madeira. E os despachos de Alexandre de Morais foram destacados, mostrando os “interesses privados de empresários” e a menção à reunião ministerial de abril do ano passado, quando Salles fala em “passara a boiada”. Reportagem também explorou bastante as falas de Salles e as jogadas do Ibama para liberar a carga de madeira. Além de mostrar a participação norte-americana na investigação, na denúncia, e o delegado que apresentou queixa-crime contra Salles e denunciou a interferência dele nas investigações.