Na edição com os problemas técnicos que atrapalhou a reportagem sobre madeireiros, o  balanço das eleições continuou, dessa vez mostrando o resultado nas câmaras municipais – o que reforça a derrota de Jair e mostra um aquecimento das esquerdas, PT à frente, apesar de o jornal não ter reforçado muito esse aspecto.

E a COVID volta à cena pra valer. Além disso, ainda na escalada, o destempero ascendente de Jair – acusando a OMS de politizar a pandemia e atacando países que criticam a política ambiental do Brasil. O apagão do Amapá também foi destaque na escalada e na edição, assim como reportagem sobre a exploração ilegal de madeira, que teve problemas técnicos na primeira tentativa de exibição. A bancada ficou sem a reportagem, e Bonner e Renata tentando se comunicar com a técnica para saber o que entraria no lugar. 

Sigamos. 

COVID

Como eu sinalizei, o assunto iria voltar após as eleições. Foi o destaque da escalada, com o anúncio da subida da taxa de transmissão no país e o aumento dos casos em São Paulo. O assunto abriu a edição do JN, destacando a prorrogação da quarentena no estado de São Paulo. Foram 8 minutos em duas matérias. A primeira mostrou a prorrogação da quarentena em São Paulo, até dezembro, e destacou também o aumento do número de casos. Na abertura, o vaticínio: “O quadro de novembro preocupa”. E a sinalização da reportagem para esse tom de preocupação é algo já muito visível em vários laboratórios país afora (quem foi fazer exame no último mês deve ter notado): o aumento da procura pelos testes para Covid.

Depois, a reportagem sobre a média móvel mostrou que a taxa de transmissão de Covid no Brasil aumentou e que a média de mortes teve a maior alta desde o mês de maio.

JAIR AO NATURAL

Em reunião virtual da cúpula dos BRICS, Jair afirmou que países que criticam política ambiental do Brasil importam madeira ilegal, “mas não deu detalhes”, informou Renata. A reportagem de 6 minutos informou que o assunto principal foi a pandemia e que Jair foi o 4º a falar, começando a dizer que o Brasil  está comprometido na busca de uma vacina sgura e eficaz. Mudou o foco e o tom e passou a dizer que as acusações feitas ao Brasil sobre meio ambiente são injustas e disse que vai publicar uma lista de países que importam madeira ilegal do país. No momento, o sinal caiu, e Bolsonaro ironizou: “apenas no momento em que falei da madeira, o sinal caiu. Apenas uma coincidência”, disse, jocoso. Mas a reportagem contradisse a fala de Jair, mostrando as áreas de desmatamento. 

Outro tema debatido,  foi a importância dos organismos internacionais, sobretudo a OMS. Mas Jair foi em sentido contrário, e criticou a Organização, falando em “politização do vírus”. Falou ainda que a OMS necessita de reformas e criticou a OMC. Os países, ao final, reiteram o apoio ao Acordo de País – o Brasil ainda discute o que fazer. Segundo a reportagem, a reunião mostrou o desalinhamento do discurso de Jair com os demais líderes do Bloco. 

MADEIRA ILEGAL

Na sequência do queixume de Jair, reportagem mostrou que “Documentos mostram que ação do Ibama facilitou exportação de madeira extraida ilegalmente. Greenpeace Brasil, Instituto Socioambiental e Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente entraram na Justiça em junho contra uma decisão tomada pelo Ibama, que flexibilizou normas para a exportação de madeira brasileira”. Reportagem de 3 minutos mostrou a ação das madeireira, que pediram a mudança de regra ao Ibama, que atendeu o pedido dos madeireiros, contrariando normas e alertas dos ambientalistas. 

ELEIÇÕES

Na sequência da cobertura, o resultado nas câmaras municipais, com bom destaque, ressaltando a “política tradicional”. 

OBS. 1: A grade do JN sempre foi muito bem pensada, estruturada – notícias aparentemente desconexas acabam fazendo um bloco de sentidos. E isso não é apenas para blocar assuntos por temas – política, economia –, trata-se de uma estratégia para produzir sentido.A edição de ontem foi um exemplo dessa estratégia. Logo depois da reportagem marcante sobre o apagão no Amapá, veio reportagem sobre a reação grosseira de Jair contra os países que criticam o Brasil pela destruição ambiental, e logo depois, reportagem sobre a exploração ilegal de madeira. Ou seja, tudo se liga na construção de sentido pelo espectador – o apagão, a destruição do meio ambiente, o presidente que não liga para a a destruição.

OBS. 2: Espaço muito pequeno para falar de economia. Naquele quadro burocrático, sem muitos detalhes. 

OBS. 3: Mais um dia de notícia sobre Lula e justiça sem o fundo vermelho.