Nas lives, o apoio do presidente – sem resultado – a vários candidatos

Atrevo-me a dizer que a bancada estava leve e até transparecia certa alegria com todos os resultados. Outro aspecto que merece destaque na edição foi a preocupação em ressaltar que o sistema eleitoral do Brasil é seguro e confiável. A lentidão na apuração foi um problema superado, mas a ação de milícias digitais foi destacada. Vamos as detalhes.

PROBLEMAS NO TSE E MILÍCIAS DIGITAIS

A lentidão na apuração pelo TSE foi mostrada na primeira matéria da edição, com bastante espaço para o ministro Barroso justificar, explicar e dizer que o processo é seguro e confiável. Uma voz de autoridade externa, uma doutora em Inteligência Artificial,  atestou a segurança do processo e das urnas eletrônicas. Uma novidade foi a explicitação da atuação de milícias digitais. O ministro Barroso apareceu mais uma vez e apontou o problema: milícias digitais , grupos extremistas que articularam ataques ao sistema do TSE numa operação coordenada para desestabilizar. Uma fala bem longa e pontuada. Interessante perspectiva.

Esse aspecto é bem importante porque o problema das milícias digitais era bastante tangenciado – abordado aqui e acolá, mas sem muita ênfase. Ontem, além de ser mostrado, falou-se numa “ação coordenada” – não foram mencionados possíveis atores, mas acho que há suspeitos e que eles serão mostrados  oportunamente. Aliás, toda a discussão sobre legitimidade das urnas eletrônicas, eficiência e tal começou a ser questionada pelos grupos bolsonaristas, numa tática de desconstrução já para 2022. Então, a matéria foi talvez um recado, e o tema vai render.

COVID

A preocupação volta à bancada. Depois das eleições, o assunto certamente voltará à carga, pois os números estão subindo muito novamente. E ontem isso já começou a ser mostrado – São Paulo apareceu como realmente está, com aumento descontrolado de casos – mas a bancada fingiu surpresa, como se o apagão de dados na divulgação fosse aleatório e fruto de problemas técnicos. Mas, enfim, o tema volta.   

DECISÃO SOBRE LULA SEM VIÉS

Pela primeira vez em tempos, uma notícia sobre Lula e decisões judiciais não contou com a ilustração tradicional do fundo vermelho. A nota do JN informou que “O ministro o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, libera acesso de Lula a correspondências trocadas entre a Lava-Jato e outros países. Os advogados do ex-presidente Lula alegam que essas informações são essenciais para confirmar se o governo federal foi avisado de suposta cooperação entre a Lava-Jato e o FBI, a Polícia Federal americana, sem o procedimento definido em tratados internacionais”. Nota de um minuto lida com parcimônia, civilidade e muita neutralidade. Nunca antes… 

JAIR DERRETE

Uma bancada quase deixando transparecer a alegria pelo resultado das eleições municipais mostrou que Jair não está com a bola toda e que amargou um péssimo resultado. 

“O apoio de Bolsonaro não se concretizou em votos”, anuncia Renata. A reportagem  salientou que ele resolveu apoiar para “ajudar a acabar com a esquerda”, transformando as lives semanais em “horário eleitoral gratuito do JB”. Mencionou também que os partidos de oposição questionaram o uso da estrutura da presidência para pedir votos. Essas ações não foram ainda julgadas. Observem…

E então se fez um grande balanço do apoio de Jair, nomeando todos os ungidos, e da sua derrota, pois não alavancou nem repetiu o “sucesso’ e 2018: “Em 2018, quando se elegeu presidente, levou consigo vários deputados, senadores e governadores. Agora, nas eleições municipais, além das questões locais que envolviam cada candidatura, a força do apoio de Bolsonaro teve impacto bem diferente”.

Enfoque bem perverso em alguns derrotados: “O candidato de Bolsonaro no maior colégio eleitoral, por exemplo, teve uma derrota ACACHAPANTE. Russomano ficou em 4º lugar na disputa em São Paulo”.  Outros apoiados derrotados foram mostrados também em destaque. “Nem no Rio, domicílio eleitoral do presidente, os mais chegados dele conseguiram”. E destaque então para a Val do Açaí, que se tornou Val Bolsonaro, mas só recebeu 266 votos, e para Rogéria Bolsonaro, “mãe de Flávio, Eduardo e Carlos”, que perdeu para veradora no Rio. A reportagem mostrou um placar com os apoiados e os resultados, para coroar a reportagem.

Ou seja, como eu já vinha dizendo, Bolsonaro não está em bons lençóis 

PARTIDOS DE CENTRO AVANÇAM

A reportagem mostrou “um avanço dos partidos de tendência política de centro”, avisou Bonner. A reportagem mostrou um raio-X da divisão de poder dos partidos nos municípios. E Rodrigo Maia, presidente da Câmara, afirmando que “a eleição refuta radicais e fortalece partidos de diálogo”. A reportagem falou em “resgate do político tradicional”. Várias ideias sendo colocadas – diálogo, político tradicional, tendência ao “centro”, nada de falar em direita ou esquerda. Espaço também para mostrar o pior resultado do PT na capital paulista nos últimos 32 anos – 6º lugar com Jilmar Tatto. E mostrou ainda que, desde 1988, o partido elegia um candidatoou ficava em segundo lugar na disputa.  

OBS.: A ideia de que o país QUER uma proposta de centro ressurge com muita força no JN após essas eleições. Vejam bem: CENTRO, e não Centrão. Isso foi bem pontuado ao longo da edição e tenho certeza de que será um novo repertório até 2022